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Tênis de alta performance podem prejudicar pés e tornozelos dos corredores?

Tanto profissionais quanto amadores estão buscando tênis tecnológicos que prometem melhorar performance em até 4%. Veja avaliação de um especialista.

30/05/2020 19:05:32
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Tênis de alta performance podem prejudicar pés e tornozelos dos corredores?

As marcas de materiais esportivos têm investido em novas tecnologias para apresentar tênis diferentes ao mercado, que prometem maior rendimento entre corredores de alta performance.

Mas o que existe realmente por trás de muito marketing, que pode ser um ganho real pra quem gosta de correr longas distâncias ainda mais rápido?

Os tênis mais modernos estão sendo desenvolvidos com uma placa de fibra de carbono no meio da espuma da entressola, que promete melhor amortecimento e maior retorno de energia, impulsionando o atleta, fazendo um efeito de catapulta.  

Uma pesquisa publicada pelo jornal The New York Times, apontou que realmente os corredores que usam esse tipo de tênis são de 4% a 5% mais rápidos. Os dados foram analisados entre 2014 a 2019, utilizando anotações de 1 milhão de corredores que armazenar suas informações de treino e tipo de tênis que usam em um aplicativo de corrida.

De acordo com um dos pesquisadores que ajudou a desenvolver estes tênis mais modernos, o segredo está no solado, que passou a ser confeccionado com materiais muito leves e com um sistema de amortecimento especial, que absorve o impacto de forma diferente. Além disso, o peso do calçado é inferior a 200 gramas e tem forma aerodinâmica com inclinação para frente.

Mudança na passada pode trazer problema pros pés no futuro?

Uma pergunta intrigante que surge a partir desta nova tecnologia é se a sola do tênis impulsiona o atleta pra frente, essa mudança fisiológica da passada pode trazer algum impacto em questões ortopédicas.

Segundo o Dr. Gustavo Maximiano, ortopedista especialista em pés e tornozelo da Clínica Orthop de Ribeirão Preto, como é uma tecnologia relativamente nova não tem estudos no longo prazo apontando se há algum tipo de prejuízo aos atletas: “conheço esses tênis e indico para os meus pacientes corredores com dores nos pés por terem mais estrutura e amortecimento, melhorando assim a absorção de energia nos pés”, explica.

“O assunto é ainda controverso e até mesmo a Federação Internacional de Atletismo criou uma comissão para investigar se os tênis atuais dão aos atletas algum tipo de vantagem que possa ferir os valores do esporte, especialmente entre os profissionais. Porém, entre os amadores, este material pode ajudar a corrigir problemas na passada e colaboram para que atleta gaste menos energia”, finaliza o especialista.  

Chuva de recordes

Nas últimas quatro temporadas das competições de atletismo, quando esses tênis com uma placa de fibra de carbono no meio da espuma da entressola começaram a ser testados, inúmeros recordes foram quebrados.  

O recorde mundial de maratona era de Dennis Kimetto, que marcou 2h02min57, na Maratona de Berlim em 2014. Com a chegada da linha Nike Vaporfly, este recorde foi quebrado em cinco ocasiões. O atual recorde é de Eliud Kipchoge, com o tempo de 2h01min39, quebrado na mesma Berlim, em 2018.

Kipchoge também foi o primeiro humano a terminar uma maratona abaixo de duas horas, participando de um projeto especial que não contou para o recorde oficial da distância. Em todos esses momentos, o atleta usava o tênis tecnológico.

Entre as mulheres, o recorde mundial foi superado em 2019 por Brigid Kosgei com o tempo de 2h14min04, na Maratona de Chicago. A atleta do Quênia bateu o recorde da americana Paula Radcliffe, que era de 2h15min25s conquistado na Maratona de Londres em 2003. 16 anos depois. Brigid também usava o novo tênis.



Dr. Gustavo Maximiano

Ortopedia e Traumatologia

CRM 134.921


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