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Pé plano valgo adquirido do adulto

Muito comum, mas pouco conhecido.

19/05/2019 23:20:48
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Pé plano valgo adquirido do adulto

“Doutor meu pé está entortando”; “não consigo mais usar o calçado pois está me machucando a parte de dentro”; “tenho dificuldade para caminhar e ficar muito tempo em pé.” Esses são alguns exemplos de queixas relacionadas a uma patologia específica do pé que o especialista se depara no dia a dia do consultório: a insuficiência crônica do tendão tibial posterior ou pé plano valgo adquirido do adulto (pé chato do adulto).

            No início, o paciente queixa de dor e inchaço logo abaixo do osso de dentro do tornozelo, o maléolo medial, que piora durante as atividades mais intensas como, ficar em pé por algum tempo, subir ou descer escadas e realizar exercícios físicos. Sem tratamento, as queixas começam a ficar mais recorrentes, o tendão que está “inflamado” começa a esgarçar como um elástico que perde sua função, o pé começa então a “desabar”. Ao comparar um pé com o outro a percepção é que um pé está diferente, está mais plano, como se fosse um pé “chato” que apareceu ou ficou pior.

            Usar o membro com sua função prejudicada, ao longo do tempo, faz com que as articulações da parte de trás do pé degenerem e resultem em artrose com comprometimento irreversível. As limitações para as atividades do dia a dia são cada vez maiores e o paciente compromete sua qualidade de vida em função do pé.

              Por ser uma doença crônica e progressiva, que acomete mais mulheres de meia idade, em que o desfecho é certo e com grande impacto na qualidade de vida, na presença de qualquer um dos sintomas é indicado a avaliação de um ortopedista que se dedica ao tratamento das patologias do pé e tornozelo.

           O exame físico cuidadoso, com a avaliação de toda do paciente em pé e deambulando, associado aos exames de imagem, como as radiografias com carga, a ultrassonografia realizada por radiologista especialista no sistema músculo-esquelético e a ressonância nuclear magnética nos casos recorrentes auxiliam no diagnóstico e direcionam o tratamento.

            Logo no início, o emprego de medidas conservadoras como o uso de uma bota imobilizadora ou calçados apropriados com contra-forte firme, palmilhas com sustentação do arco plantar longitudinal, fisioterapia e medicamentos contribuem para diminuir a inflamação e a dor. Quando a deformidade é estabelecida e o tratamento conservador não promove mais o controle da dor, o tratamento cirúrgico está indicado. Existem diversas técnicas que podem ser utilizadas para a correção da deformidade e melhora do quadro de dor.

            Dentre as técnicas mais empregadas estão a ressecção do tendão tibial posterior doente, transferência tendinosa e correção da deformidade através de uma osteotomia do calcâneo. Em casos mais avançados ou dependendo do perfil do paciente, opta-se pela correção da deformidade e a fusão (artrodese tríplice) das articulações do retropé. Esta cirurgia tem um grau maior de complexidade e o posicionamento correto dos ossos confere resultados melhores.

                    Assim quanto mais precoce e preciso o diagnóstico desta patologia, o pé plano valgo adquirido do adulto ou insuficiência crônica do tendão tibial posterior, maiores a chance do paciente em retardar a progressão da doença, controlar a dor e consequentemente melhorar a qualidade de vida



Dr. Gustavo Maximiano e Dr. Rogério Bitar

Ortopedia e Traumatologia


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